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MS troca receio por integração com o Paraguai, diz Jaime Verruck

Secretário afirma que Mato Grosso do Sul deixou de enxergar a industrialização paraguaia como ameaça e passou a tratar a fronteira como espaço de desenvolvimento compartilhado

25/03/2026 às 20:17
Por: editor

O secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, reforçou em agenda empresarial realizada em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, uma mudança de posicionamento de Mato Grosso do Sul em relação ao avanço industrial paraguaio. Em vez de manter uma leitura baseada no receio da concorrência do país vizinho, o Estado passou a adotar uma visão de integração produtiva e benefício mútuo para os dois lados da fronteira.

 

Jaime Verruck participou, nesta terça e quarta-feira (24 e 25/3), de evento realizado na unidade fabril da SR - Saldanha Rodrigues, em Pedro Juan Caballero. A agenda reuniu empresários brasileiros ligados à ABIMO (Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos), representantes de entidades industriais e autoridades públicas para troca de conhecimentos, apresentação de oportunidades de abertura de uma unidade no município paraguaio e discussão sobre possibilidades de instalação de empreendimentos em Mato Grosso do Sul.

 

Ao longo do encontro, Jaime Verruck sustentou que a fronteira não deve mais ser tratada sob a lógica da perda industrial ou da disputa econômica, mas como território de cooperação e de desenvolvimento compartilhado. Segundo ele, a mudança de mentalidade é resultado de uma política pública que passou a considerar ganhos concretos para ambos os lados. “Começamos a discutir uma política pública em que poderíamos beneficiar ambos os lados. Hoje, ela já não tem mais esse posicionamento; não é mais o receio”, afirmou o secretário.

 

A declaração resume uma inflexão importante na forma como Mato Grosso do Sul enxerga a relação com o Paraguai. Na visão defendida por Verruck, o crescimento industrial paraguaio não deve ser interpretado como ameaça, mas como parte de uma dinâmica regional que pode gerar complementaridade econômica, integração logística e maior competitividade.

 

A presença de Jaime Verruck na agenda teve peso político e estratégico. Mais do que participação institucional, suas falas buscaram enquadrar a fronteira dentro de um projeto mais amplo de desenvolvimento econômico, no qual Mato Grosso do Sul se posiciona como articulador entre setor público, indústria e comércio exterior.

 

Integração

 

O ambiente em que a discussão ocorre também ajuda a explicar a relevância do tema. Cresce o interesse empresarial pela fronteira, impulsionado pela competitividade industrial do Paraguai, pelo ambiente de negócios regional e pelas possibilidades de integração entre produção, logística e serviços.

 

Outro ponto destacado por Jaime Verruck foi a defesa da organização institucional como condição para transformar potencial em resultado concreto. Ao tratar da relação entre gestão pública e desenvolvimento, ele argumentou que estruturas eficientes são indispensáveis para que as políticas de integração avancem. “Questão de funcionar ou não depende da estrutura. E funciona, funciona muito bem”, disse.

 

A fala reforça a avaliação de que a competitividade regional não depende apenas do empresariado ou de incentivos econômicos, mas também da capacidade do poder público de planejar, coordenar e sustentar esse novo momento da fronteira.

 

Verruck também abordou um dos temas mais sensíveis para o avanço da integração: a necessidade de tornar o processo aduaneiro mais eficiente. O secretário defendeu melhorias no modelo de desembaraço de cargas e apontou a importância de uma lógica mais integrada entre Brasil e Paraguai.

 

Nesse contexto, o debate sobre a chamada “cabeceira única” aparece como tema central, ao se conectar diretamente com a busca por menos burocracia, mais agilidade e redução de custos logísticos para quem produz e comercializa na faixa de fronteira.

 

Ao trazer essa discussão, Jaime Verruck deixou claro que o desenvolvimento regional não será sustentado apenas por discursos favoráveis à integração ou pela proximidade geográfica entre os dois países. Para ele, será preciso resolver entraves concretos ligados à infraestrutura, à alfândega e à circulação de mercadorias.

 

Posição estratégica

 

A atuação do secretário também reforçou uma mensagem política mais ampla: Mato Grosso do Sul quer ocupar posição estratégica no processo de integração produtiva com o Paraguai. Nesse esforço institucional, também participaram o superintendente de Administração Tributária da Sefaz-MS, Bruno Gouvea Bastos, e o prefeito de Ponta Porã, Eduardo Campos.

 

A presença das autoridades ajuda a consolidar uma agenda conjunta em torno de uma nova visão para a fronteira. Em paralelo, o Paraguai continua atraindo interesse empresarial em razão de seu ambiente industrial, enquanto cidades como Ponta Porã ganham relevância como bases para articulação institucional, logística, serviços, qualificação e inovação.

 

Nesse cenário, a fronteira entre Ponta Porã e Pedro Juan Caballero deixa de ser apenas área de passagem ou comércio informal e passa a ser tratada como espaço de formulação econômica, cooperação produtiva e expansão regional.

 

Mais do que registrar presença em uma agenda empresarial, Jaime Verruck usou o encontro para defender uma visão de fronteira baseada em cooperação, eficiência logística, coordenação institucional e crescimento compartilhado.

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